Desistir do curso do Direito, SIM ou NÃO?

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Desde que surgiram os aplicativos como UBER, CABIFY e 99POP, comecei a usá-los para os meus deslocamentos e, praticamente, tornei um papo “padrão” com os motoristas: pergunto como “está” a vida deles com o respectivo aplicativo. O assunto fica bastante restrito a este universo, estendendo-se, no máximo, ao que eles fazem fora do aplicativo.

Praticamente, é uma pesquisa informal minha, já que é uma ótima oportunidade de avaliar, mesmo que indiretamente, do porquê se tornaram motoristas profissionais.

Portanto, já peguei muitos carros com motoristas universitários e, dentre eles, acadêmicos de Direito. Ontem aconteceu novamente, mas que gerou este texto. O motorista era acadêmico da PUCRS e estava na metade do curso, ou seja, 5º semestre. Estudava pela manhã e depois trabalhava com o aplicativo à tarde. Contou -me que está sofrendo no curso, pois não sabe se “é aquilo” que deseja continuar. Disse ainda, que não há ninguém na família na área jurídica, ou contrário, vive numa família de psicólogos e inclusive já foi sugerido trancar o curso.

Por fim, enxerga poucas chances depois de formado caso desejasse seguir a carreira de advogado, pois como emprego os escritórios pagam mal e talvez concurso público lhe daria estabilidade.

Diante deste quadro, acabei me apresentando como professor de Direito e comentei sobre as minhas dificuldades lá nos idos de 1990 e sobre as mesmas dúvidas que muitos dos meus alunos de hoje passam. Essa CRISE DE IDENTIDADE é mais comum do que deveria ser na faculdade de Direito. Entramos no curso na dúvida da nossa vocação, mas em razão das “muitas oportunidades” que ele oferece, acabamos ingressando na esperança de achar algumas destas oportunidades ou portas abertas.

O que acontece ao final? A SÍNDROME DA FACULDADE DE DIREITO! Nossa ambição inicia num patamar elevadíssimo e depois vai caindo a cada ano da faculdade, ou seja, fechando todas as portas que enxergávamos logo no começo. Ao final queremos mesmo é passar na OAB e entregar o TCC.

Eu mesmo tentei vestibular para MEDICINA antes de cair de paraquedas no DIREITO. Fiz vários até ficar numa lista de espera e desistir. Além do Direito, passei no vestibular para ANALISTA DE SISTEMAS e ainda em CONTÁBEIS. De tudo isso, hoje posso enxergar que escolhi as opções certas. O direito me levou à minha paixão, ESCREVER. Hoje posso dizer que sou ESCRITOR, pois vivo disso. Ademais, desde 2013 larguei a advocacia e não tenho interesse em retomar a vida de advogado, entre processos e prazos. Lembrando que no ano passado, 2017, completei 20 anos de formatura e advocacia, pois na formatura recebi a minha carteira da OAB, aprovado meses antes no exame.

O que desejo tranquilizar é que ATÉ O MEIO do curso da faculdade muitas dúvidas surgirão para uma maioria que ainda “não sentiu” o Direito e as suas possibilidades. As disciplinas introdutórias parecem não fazer muito sentido para aquele desejo ardente de logo se “sentir” dono da palavra ou ao menos aquele poder de autodefesa de possíveis abusos. Um sentimento de “vou te processar!” ao invés de “vou procurar meu advogado”.

Também tive momentos ESTRANHOS no curso, sem saber onde chegaria. Não tive fortes desejos de ser delegado, promotor ou juiz, para dizer as carreiras mais clássicas, mas sabia que iria para os concursos públicos em razão dos meus pais serem servidores públicos aposentados. O “papo” da estabilidade era o mais forte sempre. E a advocacia parecia distante, pois não tinha a pretensão de abrir escritório próprio e não era uma realidade me tornar advogado empregado, pois fiz estágios em órgãos públicos.

Não há estatísticas, mas não duvido que seja ALTA a desistência do curso de Direito. Muitos fatores indicam isso, não só pela grade das faculdades, que não são atrativas na sua maioria, como também a dificuldade de aprovação em concursos e na OAB. E não é por menos que recebo muitos contatos sobre o tecnólogo em Gestão de Serviços Públicos [LEIA AQUI o texto a respeito deste curso].

O importante, se você está em DÚVIDA AGORA, é não lutar contra o curso em razão da sua insatisfação. Veja que haverá um desgaste e uma falta de comprometimento, chegando ao final sem vontade alguma de ao menos dar uma “chance” à sua nova formação. Então NÃO LUTE. Pare e avalie o que ainda lhe espera no curso, bem como PARE E PENSE sobre o que você poderá estar fazendo aqui a 3 ou 5 anos. A questão vocacional é muito implicante conosco, mas mesmo assim, muitos que se formaram em Direito e foram para outras áreas não jurídicas, não se arrependem de ter feito o curso, pois – no mínimo – “aprenderam a aprender” e se tornaram mais conscientes das opções seguintes que tomaram.

Veja que tenho ex-estagiária que é feliz como PROMOTORA DE JUSTIÇA, como também ex-estagiária que é feliz como DESIGNER DE INTERIORES. O importante, mais uma vez, é ser FELIZ durante o processo, ou seja, como estudante. Viver angustiado só irá piorar as coisas.

Fazer concurso público ou comprar uma bicicleta? é um dos temas no meu livro PODER DA APROVAÇÃOCoaching e Mentoring para Concursos e OAB pela Editora Saraiva. Saiba mais, clicando na imagem abaixo.

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