E os cursos preparatórios de OAB em Porto Alegre?

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A premissa deste texto é muito mais emotiva, passional, do que uma crítica ou atestado de como as coisas estão. A atualidade do mercado de OAB é apenas contextual para resgatar o passado. Portanto, fica o meu alerta.

Criamos o curso preparatório Retorno Jurídico em 2005 e lançamos a primeira turma presencial em janeiro de 2006 na capital gaúcha. Naquela época, o EAD tinha representação apenas nos cursos de satélite, Damásio e LFG (que viriam se estabelecer no RS mais tarde). Também tinha outros métodos que veiculavam as aulas em DVD (curso do FMB), enfim, mas estes dois eram os principais.

Não existia, assim, cursos preparatórios online, ao menos, para OAB, até porque, a prova era de responsabilidade das seccionais, portanto, diferentes.

Em Porto Alegre, os cursos presenciais para OAB eram o IDC – Instituto de Desenvolvimento Cultural, diga-se, o precursor no RS (ou quase, pois antes dele ou simultaneamente o IARGS – Instituto dos Advogados do RS também teve o seu curso lá em 1996), o Verbo Jurídico, o CETRA – Centro de Estudos do Trabalho e a Escola Fórum. Portanto, quatro cursos que já estavam envolvidos com o certame. Logo, também entrou o CEJUR – Centro de Estudos Jurídicos ao tempo do Retorno Jurídico.

A construção do projeto do Retorno Jurídico surgiu depois da minha frustração de não conseguir ser aceito como professor no curso Fórum, onde tinha uma troca mais constante no corpo docente. Cheguei a fazer inclusive uma entrevista com a proprietária na época, mas por falta de experiência, acabei perdendo a vaga. Com a demissão da gerente deste curso, que tinha sido minha estagiária quando advogado público de uma estatal gaúcha, agreguei as dicas dela e fomos atrás da realização do projeto de OAB.

Procurei alguns antigos colegas de faculdade (um representante de Penal, outro de Civil e um de Trabalho), que atuavam como professores em alguns dos cursos citados, para afinar e ajustar o projeto, pois tinham know-how na área, e a partir de um almoço no Dado Bier, selamos o destino do curso com uma boa equipe de professores, entre experientes e outros nem tanto.

Com R$ 10 mil reais iniciei o projeto Retorno Jurídico, locando uma sala de aula completa, através de diárias, na FEDERASUL, entidade bem conhecida para nós gaúchos. Gastei mais da metade deste valor em publicidade (em folders e um micro-anúncio no jornal), divulgando, pessoalmente, nas faculdades, e o restante da grana, na criação de um site e no salário da minha única funcionária.

Para nossa “sorte”, em 2006 os exames passaram a ser TRÊS por ano, ou seja, ampliando as possibilidades de retorno dos nossos sonhos. A 1ª turma foi um SUCESSO absoluto, o que originou nossa propaganda mais contundente: “A cada 5 alunos, 4 são aprovados”. Em um ano, o Retorno Jurídico se tornou o curso “dos especialistas em Exame de Ordem”.

Até o ano de 2013, quando se encerraram as atividades do Retorno, muitos preparatórios locais tentaram o Exame de Ordem. Alguns chegaram a ter algumas turmas, outros, fecharam antes disso. Realmente, era uma disputa ferrenha, aluno por aluno, mas todos acabavam se encontrando nos dias de prova para divulgação e conhecer as “novidades” da concorrência. Tinha público para todos, até porque muitas vezes o excedente era compartilhado ou mesmo quando não fechava uma determinada turma para 2ª fase, indicava o concorrente. A inimizade era apenas em casos isolados.

Com o EAD e a unificação das provas, a concorrência não tinha mais fronteiras e nestes últimos 5 anos, viu-se minguar os cursos preparatórios para OAB em Porto Alegre. Dos citados anteriormente, apenas o Verbo Jurídico resiste. Os demais todos fecharam as portas. Mesmo o IDC, um dos cursos mais antigos em atividade, não oferece mais OAB desde 2018, quando a maioria do seu time saiu para tocar o mesmo projeto em outra instituição, o CETEC, mas sem êxito para o XXVI Exame (está com inscrições para o XXVII).

Outra instituição voltada para concursos também entrou neste “nicho” (como muitas outras), Andresan – Cursos e Concursos, mas está apenas na sua segunda edição (XXVI Exame), portanto, é muito cedo para afirmar que se tornará referência quanto à OAB. Em outro quadrante, alguns professores remanescentes do IDC buscam se estabelecer com a OAB sob o projeto FAMERCO, mas ao tempo desta postagem não há informação se fecharam alguma turma (para o XXVI Exame).

Para uma capital com 15 faculdades de Direito seria pouco improvável esta falta de opções de preparatórios presenciais. A pergunta é: o que aconteceu? A resposta poderia ser: o EAD engoliu os presenciais. Mas porque, p.ex., em Manaus, Fortaleza e Recife os cursos presenciais “vão bem, obrigado”?!? Há muitos outros lugares que o presencial não só resiste, como está com salas hiper lotadas de alunos.

O mais irônico que o EAD (online, especialmente) custou a pegar no RS, num modo mais geral, e agora domina quem sabe 98% das matrículas em preparatórios, inclusive, para concursos. É importante destacar que tanto LFG como Damásio chegaram a fechar no RS e hoje estão sob “nova direção” em terras gaúchas também.

Atualmente, o único curso gaúcho que faz frente aos maiores no online (na OAB) e mantém além de estúdios, salas de turmas presenciais em Santa Cruz do Sul é o CEISC e que, inclusive seu responsável foi professor no… Retorno Jurídico. Aliás, muitos profissionais renomados daqui do RS tiveram o seu início de caminhada na docência também no Retorno Jurídico, pois se me foi negada uma oportunidade, nunca neguei para quem quisesse ser professor (claro que fazíamos um teste em especial para os inexperientes).

De tudo isso, há duas penas para lamentar: falta de oportunidades para os professores (o mesmo que sofri lá em 2005) e para os alunos que preferem o curso presencial. Aos alunos, será que este vácuo será mantido? Só o tempo dirá, desejo que não! E aos professores, minha dica é: tenham coragem e abram seus próprios sites profissionais, como fiz há 13 anos. Daqui a pouco, junta um colega dali, outro, dacolá, e quanto vê, há uma reunião de especialistas suficiente para um novo preparatório. Leva tempo? Pode levar, mas esperar sentado uma oportunidade cair do céu demora mais, com certeza.

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