Estão preparados para a nova Era do Lifelong Learning?

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Há muito tempo tenho o privilégio de estudar apenas o que eu gosto. Em raras exceções me prendi a textos que eram urgentes, mas não importante para mim. Aliás, só o fato de ESTUDAR é um privilégio para poucos em nosso país, diga-se de passagem. A própria escolha do mestrado em Direito foi endereçada para os temas que gosto. Veja que muitos escolhem o mestrado “por escolher”, sem a mínima afinidade com o programa. É comum, diga-se. E, em razão disso, acabam desistindo ou mesmo fazendo “nas coxas” apenas pelo título.

Nós, que escolhemos o DIREITO, não nos “libertamos” quando pegamos o canudo como muitos pensam. Há pessoas que acham que não precisarão estudar mais. Ledo engano. O verdadeiro sentido da profissão está no aprendizado após a formatura. Não é por menos que é praticamente “obrigação” o formado escolher um curso de PÓS-GRADUAÇÃO. Na disputa de vagas em qualquer escritório, conta bastante. Porém, nos dias atuais, há um exército cada vez mais de quem está na terceira ou quarta especialização. CULTURA e CONHECIMENTO não ocupam espaço.

Então, o que seria a tal “Era” do LIFELONG LEARNING? Literalmente, a Era do Aprendizado ao Longo da Vida. Não posso dizer que é um “movimento”, mas uma constatação de que as coisas mudaram (ou estão se adaptando, lembra da evolução das espécies de Darwin?) nesta transição do industrial para o digital. Estamos em plena Revolução 4.0, ou seja, a quarta revolução industrial – e que segundo a Wikipedia, “engloba algumas tecnologias para automação e troca de dados e utiliza conceitos de Sistemas ciber-físicos, Internet das Coisas e Computação em Nuvem”.

Percebe-se, cada dia mais, que a escola tradicional é limitada, pois é “necessariamente” padronizada. Pouco importa as individualidades, as habilidades ou desejos pessoais dos nossos alunos. Precisa aprender a fórmula de Bhaskara, mas não sabe do porquê deste conhecimento inútil. Os lifelong learners,  depois de se livrarem das amarras do sistema, buscam aprender o que lhe interessam e estudarão para sempre o que amam. Não é novidade alguma, que ex-alunos do Direito estão correndo atrás de outros campos de estudos, porque encontraram na sua faculdade ou após pegar o canudo um “mundo quadrado” jurídico.

Assim, amigos meus, formados em Direito, ou foram para outros cursos da graduação ou para atividades distintas, tornando-se referências nas novas opções. Segundo um texto muito bacana [clique aqui] que pesquisei a respeito, traz uma pesquisa que consegue trazer 4 caraterísticas nos lifelong learners:

1- DESCOBRIR O QUE FAZ SENTIDO – a qualidade da flexibilidade é essencial neste ponto, estar com a cabeça aberta a novas possibilidades. Se gosto muito de cerveja, p.ex., não só beber, mas de entender o processo, porque não apostar num curso de formação cervejeiro? Um ex-colega meu de especialização em Direito hoje é dono de uma pequena fábrica de cerveja e de bares em Florianópolis e é totalmente realizado.

2- REDEFINIR AS MÉTRICAS DO SUCESSO – não há uma preocupação excessiva de acumulação ou enriquecimento. Basta ter uma tranquilidade financeira e, especialmente, o que importa: a tranquilidade emocional. A autonomia e independência é o que se busca.

3- EXPLORAR ENCARNAÇÕES – a ideia de “encarnações” sintetiza os recomeços dentro de um ciclo de aprendizado. Antigamente, a pessoa passava a vida dentro de uma única empresa ou instituição. Hoje, além dos concurseiros, poucos desejam. Busca-se novas experiências para fundamentar novos conhecimentos.

4- DESBRAVAR CONHECIMENTOS – para tudo isso é necessário aprender a aprender (meta cognição). Novas experiências, novos conhecimentos. Ter uma visão holística (do todo) exige desbravar conhecimentos.

Muito já referi aos meus alunos que o que REALMENTE IMPORTA é o processo de aprender e não o resultado ou o destino. Veja que quem gosta de estudar, pouco irá se importar de 8 horas diárias se preparando para determinado concurso. O resultado será consequência do seu prazer: a aprovação. A automotivação do prazer de aprender levará a abrir todas as portas que estiverem fechadas. Cada vez mais o aprendizado é MULTIDISCIPLINAR e quando uma “especialização” conecta com as mais diversas áreas, como o próprio coaching fornece, melhor é a experiência, ampliando a visão do mapa profissional.

Eu sou um lifelong learner, talvez não soubesse. Meu aprendizado é abrangente, não fixo em uma ou duas disciplinas. Descobri o que não gostava quando era advogado público de uma estatal e fiquei todos os meus 5 anos no mesmo setor: execução trabalhista. Qual era o meu assunto, além disso, no próprio Direito? Nenhum. E veja que a minha formação era na área tributária e quando entrei na empresa pedi para conhecer uma outra a qual nunca tinha lidado antes, a área trabalhista. Porém, fiquei tempo demais em razão das minhas amizades e perdi tempo e dinheiro.

Em razão do que gosto estudar, fui fazer especialização em Psicologia Positiva e Coaching, o que não irá impedir que faça outras ou até volte para a graduação para ingressar na Psicologia. Sou curioso por natureza, uma das cinco virtudes essenciais para uma vida mais autêntica, segundo Bob Deutsch. Outra matéria bacana sobre o assunto foi publicada no Estadão (clique aqui). Segundo ela, “educar uma pessoa desde cedo e por apenas parte da sua vida para que ela exerça uma função específica durante o  resto a sua existência não faz o menor sentido”.

Esta é a premissa da nova Era do LIFELONG LEARNING que encontrei em todos os outros textos lidos a respeito e não destacados aqui. O que se busca nos dias atuais são os SOFT SKILLS ou competências sócio-emocionais, tais como “criatividade, facilidade em resolução de problemas, empatia, curiosidade e vontade de aprender”. Tudo isso pode – e deve – ser estimulado nas crianças para serem bem sucedidas no futuro e isso não envolve só a questão financeira, mas numa melhor autoconsciência no que se deseja para si.

Mas nós adultos, podemos nos tornar em LIFELONG LEARNERS? Claro!  Mesmo que o conceito seja que o aprendizado não acontece apenas em determinada época, mas ao longo de nossas vidas, pergunto a você: depois da graduação, você fez outros cursos de extensão ou pós? Veja que o E-LEARNING é o antídoto de quem gosta de se desculpar “que não tem tempo”. Nada mais é o que o ensino eletrônico ou ensino não presencial. Eu mesmo fiz minha última pós-graduação via e-learning, ou seja, EAD (ensino à distância). Estudei na hora que podia, na minha casa ou em qualquer outro lugar [fica a dica, Faculdade UNYLEYA, maior instituição do país com pós-graduações, são mais de 800!!].

Outra mudança de mindset que você precisa tomar é que levamos, geralmente, para duas divisões em nossas vidas: a vida pessoal e a vida profissional. Assim, nossas leituras também acabam tomando este rumo, infelizmente. Digo que “infelizmente”, pois somos apenas 1 ÚNICA PESSOA. Sendo desse modo, esta distinção não é necessária, já que o desenvolvimento pessoal pode melhorar suas oportunidades de emprego e o desenvolvimento profissional pode permitir o crescimento pessoal. Veja que a minha leitura diária serve tanto para o que pesquiso como profissional e me traz “efeitos colaterais positivos” para a minha particular.

A autora Colin Rose no seu livro Accelerated Learning for the 21st Century: The Six-Step Plan to Unlock Your Master-Mind [Aprendizagem Acelerada para o Século XXI: O Plano de Seis Passos para Desbloquear sua Mente-Mestra] traz 6 passos para acelerar o aprendizado (sabe a ideia de aprender a aprender?). Ela usou o anacrônico de MASTER para trazer os 6 passos, segue:

M – [Motivation] MOTIVAÇÃO – A – [Acquire] ADQUIRIR – S – [Search] PESQUISAR – T – [Trigger] DESENCADEAR – E – [Examine] EXAMINAR – R – [Reflect] REFLETIR

Portanto, se possível, adote a mesma linguagem para ambos os quadrantes [profissional e particular] de sua vida. Sempre há tempo. Recentemente, um senhor de 94 anos se formou em Direito [clique aqui]. E você, tá esperando o que como se tornar um lifelong learner?

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