Estresse e a preparação para provas de concursos e OAB

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Como se sabe, estudar não é fácil. Para muitos outros, é totalmente chato. Aprendemos, erroneamente, esta crença desde a infância e sofremos com ela até chegar à faculdade. Teoricamente, você escolhe o curso da graduação que pretende fazer, ou seja, deveria ter menos estresse do que o ensino médio, pois lá você tem que engolir tanta coisa que não faz a menor ideia para quê (tabela periódica, fórmula de baskhara, etc.).

Mas, infelizmente, o estresse continua lá, pois há muitas “coisas de adulto” que acontecem simultâneo com a graduação, como pagar boletos. Depois de formado, ainda tem tantas outras coisas estressoras que fica IMPOSSÍVEL dizer que um dia ficaremos livres do tal estresse.

Baseado no livro “Introdução à Psicologia” do Robert S. Feldman, irei passar alguns conceitos e dicas de como lidar com o estresse durante a preparação para prova de concurso e Exame da OAB. Pode ser também para prova da faculdade, enfim, serve para qualquer evento que seja uma avaliação.

Vamos ao conceito de estresse: “resposta de uma pessoa a eventos que são ameaçadores ou desafiadores”. Ou seja, nossa resposta natural quando sabemos que seremos avaliados por uma prova ou exame. Isso é estresse. O estresse também pode ser uma reação a um fator positivo, como ser chamado a assumir uma chefia e ter que administrar 100 outros colegas. Portanto, o evento em si não precisa ser negativo, mas “forte” o suficiente para gerar uma resposta a um desafio (bom) ou ameaça (ruim). Quando escrevo “forte” é ter um interesse, pois assistir na TV que um time lá de outro país foi derrotado de goleada e você não torce para ele (nem dá bola) não gera qualquer resposta além de lhe manter passivo, diferente se for o seu time do coração.

Segundo a literatura, a “vida é cheia de estressores”, ou seja, qualquer circunstância ou evento que causam estresse como reação fisiológica e psicológica. A reação fisiológica você sabe reconhecer muito bem, como palpitação, nervosismo, falta de ar, enfim, tudo que o seu corpo devolve como reação. O termo DISTÚRBIO PSICOFISIOLÓGICO é praticamente isso, dores de cabeça, indigestão, fadiga, hipertensão, etc.

Há uma classificação dos ESTRESSORES em três tipos, mas o que importa é observar a exposição contínua ao estresse, gerando consequências piores. O curso do estresse é dividido em 3 estágios: ALARME/MOBILIZAÇÃO – RESISTÊNCIA – EXAUSTÃO. Como podem observar, há um declínio quanto aos resultados fisiológicos chegando até a exaustão, onde o estresse se torna uma doença. Estes estágios são denominados de SÍNDROME DE ADAPTAÇÃO GERAL (SAG). A partir do tema que propomos, enxergue deste jeito:

1- ALARME/MOBILIZAÇÃO – você reconhece que a prova ou exame é um estressor. O sistema nervoso é energizado para resistir a isso. Esta consciência é importante e você parte para os estudos.

2- RESISTÊNCIA – o estressor permanece “incomodando” e você parte para uma guerrilha maior, como entrar noite a dentro estudando. Claro que há consequências indesejadas, seu corpo responde e resiste, mas há efeitos colaterais, irritação, falta de concentração, etc.

3- EXAUSTÃO – se a resistência é inadequada, entra no último estágio que implica complicações mais graves, ocorrendo, ao final, o esgotamento.

ENFRENTAMENTO é o nome que se dá “para controlar, reduzir ou aprender a tolerar as ameaças que levam ao estresse” e ele se dá de duas maneiras mais eficientes:

  • Centrado NA EMOÇÃO – resumidamente, é “mudar a maneira como se sentem a respeito” em face do estresse. É olhar para o lado bom de uma situação, p.ex., a prova de concurso. Enxergar que em caso de reprovação, ao menos foi uma oportunidade que lhe trouxe de testar seus conhecimentos para que na próxima você esteja preparado para ela.
  • Centrado NO PROBLEMA – a ideia é desenvolver um plano de ação ou na mudança do comportamento para tentar modificar o problema estressante. P.ex., reforçar os estudos com um curso preparatório para quem estava apenas estudando por meio de livros.

Ambas as estratégias podem ser combinadas e uma não anula a outra. No entanto, há outros tipos de enfrentamento não recomendados, como o ENFRENTAMENTO EVITATIVO, como p.ex., achar que a prova será fácil, então não precisa se preocupar tanto assim ou substituir o estresse por um pote de 2 litros de sorvete. Outro tipo de enfrentamento que ocorre inconscientemente é o uso de MECANISMOS DE DEFESA, que são estratégias que ocultam a origem do estresse, escondendo o problema em si. P.ex., sei que tenho uma prova importante para enfrentar, mas insisto inconscientemente que tal prova é mais uma ou ela nem existe.

Segundo o autor consultado, “entre aquelas que lidam com o estresse com maior sucesso estão as pessoas que são equipadas com resistência […] e que consiste em três componentes”:

  • ENGAJAMENTO – noção de que nossas atividades são importantes e significativas
  • DESAFIO – a previsão de mudanças serve como um incentivo em vez de uma ameaça
  • CONTROLE – percepção de que se pode influenciar os eventos em sua própria vida

Sendo assim, as PESSOAS RESISTENTES “encaram o estresse com otimismo e tomam atitudes diretas para aprender a respeito e lidar com os estressores”. Portanto, o enfrentamento centrado na emoção e/ou no problema deve ser o caminho, pois não existe uma vida sem estresse, até porque ele nem sempre é negativo, vide o que os psicólogos chamam de EUSTRESSE (estresse positivo, que gera alerta e atenção, como uma promoção no trabalho). O DISTRESSE seria o estresse negativo, o que estamos acostumados empregar apenas “estresse” (ou stress que vem do conceito de física que traduz tensão).

Assim, trabalhar as emoções é importante, pois varrer o estresse para debaixo do tapete emocional somente irá acumular e levar à exaustão. Não há problema algum na liberação do CORTISOL, o “hormônio do estresse”, mas o seu excesso leva a danos.

Por fim, é importante ter RESILIÊNCIA, que é “um ingrediente essencial em sua recuperação psicológica”. Saber perder e dar a volta por cima. Às vezes se vence, outras vezes, se aprende. Fica a sugestão de leitura abaixo, basta clicar na imagem.

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