Hoje é mais fácil achar um advogado do que um encanador

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Quem disse essa frase foi nada menos do que o consultor de carreiras mais famoso do país, MAX GEHRINGER, numa entrevista à rede RBS de notícias e publicada no jornal Zero Hora – ZH (página 29, 9/maio/2018). Esta frase foi tirada dentro do contexto da valorização que Gehringer dá aos cursos TÉCNICOS, que segundo ele, “foi ignorado na última década. Tem gente com 21 anos com faculdade e desempregada. Enquanto isso, pessoas com menos estudo, mas mais experiência, têm emprego“.

A título de comparação, ele afirma que pela falta de mecânicos, a indústria teve que criar o SENAI, por exemplo.

Pode parecer forte a frase dele, mas é a plena realidade. Custei a achar um encanador com alguma referência, mas se tivesse para pedir uma indicação no Facebook de um advogado, tenho certeza que a timeline seria lotada de nomes. O mesmo não teria para a indicação de um encanador.

O meu encanador é um faz tudo, por isso, chamo ele a toda hora. E entre tantas conversas que já tive com ele, em razão da minha permanente curiosidade, não tenho dúvidas que ele ganha mais do que um advogado empregado num escritório e com alguma experiência e titulação numa especialização qualquer.

Não só isso, ele administra o próprio tempo e é dono do próprio nariz, podendo inclusive negar serviços, o que Gehringer lhe denomina de EMPREENDEDOR. Segundo a matéria de ZH, ele afirma que o empreendedorismo é a carreira do século 21, pois não há empregos para todo mundo e diante do avanço da tecnologia, ainda haverá menos logo ali. ROBERT T. KIYOSAKI, autor bestseller de PAI RICO, PAI POBRE, já alertava que a educação forma cidadãos para serem empregados e não para serem empreendedores. Essa mudança de mindset é totalmente necessária não só para o futuro, como também o presente, visto a falta de vocação daquele prestes a escolher sua profissão.

Ainda nesta semana escrevi que Porto Alegre estava recebendo a sua 15ª faculdade de Direito [clique aqui e saiba mais]. Muito se questiona, será que precisamos de mais uma faculdade de Direito, mas ninguém se autoquestiona, será que preciso entrar na faculdade de Direito para ser feliz. Quando os vestibulandos começarem a questionar a segunda pergunta, já que o Direito é o curso com maior número de matriculados no país, provavelmente, centenas de cursos de Direito serão fechados. Ficarão em pé os mais acessíveis e os de melhor qualidade. Todos os outros fecharão as portas.

Se Gehringer afirma que não tem emprego para todos, digo o mesmo, não tem concursos para todosE hoje os concursos é o destino da imensa maioria dos formandos em Direito. A superconcorrência é a regra nos concursos: centenas de milhares disputando uma vaga.  E o pessoal que não é aprovado depois de inúmeros insucessos? Esta é a realidade para a maioria, daí que uma maré de pessimismo começa a vazar do ambiente dos concurseiros para aqueles que estão ingressando na faculdade de Direito. Não há números oficiais, mas o índice de desistência é altíssimo.

Mesmo quem escolhe a advocacia privada e a colocação num escritório, pois a entrada de novos advogados se dá pelo empreguismo,  é comum que troque de endereço diversas vezes durante sua vida profissional. A dificuldade de se manter num único escritório é muito grande, especialmente, pela insatisfação do advogado. De acordo com Gehringer, há três fatores a se considerar na hora de trocar de emprego: [1] remuneração; [2] oportunidades; [3] ambiente  Mudar por apenas um desses fatores seria “bobagem”; por dois, “opção” e por três, “é a coisa certa a fazer”.

Outra colocação do famoso consultor que me chamou a atenção foi quanto à terceirização. Segundo Gehringer, a diferença entre aquele que tem carteira assinada e é terceirizado é que este último precisa aprender mais economia do que quem tem salário efetivo. Claro, não tem um “fixo” ou “estabilidade financeira mensal”, mas isso não é necessariamente ruim. Um empreendedor ou empresário pode ganhar pouco num mês e faturar muito noutro. A única mudança é enxergar uma média mensal para fazer frente às despesas mensais.

Nos EUA, um país que tanto os brasileiros admiram ou desejam morar, não tem uma ditadura do ensino superior, em outras palavras, a pessoa não precisa fazer faculdade para se dar bem na vida. Veja que no Brasil, diplomados sofrem para alcançar um emprego. Há doutores que estão desempregados, vivendo de subempregos. Nas palavras de Gehringer, em 1980, ter um diploma era diferencial. Em 1990, a faculdade deixou de ser cara, então todo mundo começou a fazer (…)A pessoa se forma e acha que imediatamente tem que acontecer alguma coisa. Mas o mundo tem um ritmo. É preciso observá-lo e entendê-lo antes.

Esse tema, a vocação, abordo logo no início do meu livro, Poder da Aprovação: Coaching e Mentoring para Concursos + OAB. Se você quiser saber mais, segue a capa do livro e o link [clique aqui].

 

 

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