O ambiente tóxico da graduação de Direito

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Iniciei minha vida acadêmica, como professor, em 2005, para ser docente em curso preparatório para OAB. Depois lá em 2016 entrei para graduação como professor a qual pedi para sair no final de 2018, depois de 6 semestres como docente na faculdade de Direito. Ministrei aulas na graduação da Administração e tive alunos de Contábeis.

Nunca tive anseio de ser professor na faculdade de Direito, mas comecei a me preocupar com os meus alunos no cursinho: problemas não só de aprendizado como também emocionais estavam sufocando a preparação para OAB. Gente que vinha e dizia que numa aula do cursinho aprendeu o que não tinha compreendido num único semestre na faculdade. Este tipo de “elogio” chegava toda semana, ainda mais porque eu era o coordenador do curso preparatório.

No início até achava um ótimo elogio. Depois comecei a questionar: qual a razão do pessoal aprender numa ou outra aula o que não tinha aprendido num semestre? O que este pessoal ficou “fazendo” num semestre? Será que está tão ruim as faculdades de Direito? Questões como estas eram corriqueiras. Então decidi ir para a fonte do problema: fui para graduação.

Veja que me formei em 1997 e nunca fui um aluno exemplar. Pela experiência própria de aluno, eu já estaria bem vacinado no que receberia na graduação. Então, perceba que entrei no curso com um olhar bastante crítico e analítico, buscando “culpados” do estado que os alunos saiam da faculdade. O primeiro semestre foi de inércia, no sentido de entrar num trem desgovernado a 200 km/h e ficar sentadinho só observando os passageiros.

Alguma “fama” foi junto comigo para a faculdade, então grande parte dos alunos já sabia da minha vibe motivacional e de professor de cursinho. Meus 10 anos anteriores como professor de cursinho me impediam de cair na caricatura do professor que os alunos enxergam: aquele que tem o poder da caneta, seja para dar notas, seja para dar presença.  Jamais fui rigoroso nas presenças, aliás, frouxo demais talvez para os olhos da instituição. Uma chamada logo no início para todo o período. E nada mais. Poderia sair antes ou depois, pouco importa. Todos ganhariam a mesma presença. Tinha colegas que faziam entre 3 a 4 chamadas num turno completo!

Quanto às minhas provas, eram bem elaboradas e se isso possa ser entendido como “difíceis”, então eram. Nunca RODEI qualquer aluno, pois todos que não foram aprovados foram por culpa exclusiva. Também não via “glamour” em reprovar como se vê por aí, mas grande tristeza de ter “perdido” aquele aluno. Era praxe no 1º dia de aula a cada semestre firmar um compromisso de não levarem dúvidas para casa e de que estava eu ali para eles serem aprovados e não para avaliar. Professor de cursinho tem um só sentimento: aprovar seu aluno, seja na OAB, seja em concursos.

Com o passar do tempo, percebi que os alunos estavam mais interessados no que eu falava além da matéria que ministrava, ou seja, lições de vida, de estudos, sucesso, administração do tempo e emocional, indicação de livros de autoajuda, coaching, etc. Perdi as contas de ser parado no corredor ou no final da aula por pessoas que não foram meus alunos ou quem já tinha passado comigo para conversar sobre as pressões do curso do Direito. Este tema era frequente na minha aula, talvez por isso, às vezes me via como um SAC do curso, reclamações de colegas, da instituição, das faltas de oportunidades que o curso oferece, de tudo um pouco.

Esta vibe ruim me atingia um pouco como parte do “negócio”. Digo pouco, pois sempre me posicionei como terceiro interessado e isso de forma psicológica para evitar me afetar com as reclamações da vida, especialmente, de quem eu tinha um apreço. A sensação que a coisa só vinha piorando nestes 3 anos de faculdade. Questionava os meus colegas se só eu enxergava tal descrédito, mas a visão, em geral, era a mesma: os alunos estão cada dia mais com dificuldades. Não há professor 100%, nem aluno 100%, muito menos faculdade 100%. Todos nós vamos viver com nossos erros, mas seremos lembrados pelos acertos também. Mas a coisa está piorando e não quero culpar ninguém de forma específica. NENHUM dos três elementos desta relação aluno-professor-instituição tem culpa exclusiva.

O problema e a sugestão do título é porque o próprio DIREITO passa por grandes dificuldades. E não é só no Brasil. Tal “fenômeno” TÓXICO do ambiente jurídico atinge as faculdades de Direito nos EUA, por exemplo, e seus alunos. Lá tem curso que pediu falência, como estudantes que pediram quebra, por falta de pagamento. Não há emprego para advogados e os grandes escritórios pagam uma miséria para o baixo escalão, a maioria. Recém-formados não conseguem trabalho e tem que arcar com o custo da faculdade. Parece o Brasil, mas é nos EUA.

No livro O JEITO HARVARD DE SER FELIZ, de Shawn Achor, adverte sobre o péssimo ambiente que é das faculdades de Direito, refletindo o mundo jurídico que está doente (seus profissionais, é claro). Segundo ele, estudos revelam que os advogados têm 3,6 vezes mais chances de sofrer de transtorno depressivo maior do que qualquer outra profissão. Diz ele ainda que “o problema começa na faculdade de Direito, onde os níveis de angústia sobem acentuadamente assim que os estudantes entram em sala de aula e começam a aprender as técnicas de análise crítica”.

O autor cita um estudo do jornal da faculdade de Yale que “as faculdades de direito ensinam os estudantes a procurar defeitos na argumentação e os treinam a serem críticos e não tolerantes”. E que isso se estende para vida particular e no trabalho, gerando depressão e ansiedade. E claro, ainda eles têm o exame de ordem deles (o bar examination) como o primeiro desafio a enfrentar na carreira.

Nas minhas palestras eu mostro um gráfico que denominei como a SÍNDROME DO ACADÊMICO DE DIREITO. Sinteticamente, inicia no primeiro ano o acadêmico se achando o Ministro do STF. Com o passar dos anos, sua auto-estima vai caindo, caindo até chegar o 5º ano. Lá ele percebe, às vésperas da formatura, que NÃO SABE NADA e que ser aprovado na OAB e no TCC é o sonho máximo para o momento. Esta queda vertiginosa emocional é o que venho estudando e que publiquei alguns textos a respeito na minha obra PODER DA APROVAÇÃO: COACHING E MENTORING PARA OAB E CONCURSOS pela Editora Saraiva.

Neste meio tempo como professor da graduação fiz curso de coaching mentoring em duas instituições e este aprendizado melhorou muito minha posição em sala de aula e o meu olhar sobre os problemas dos meus alunos. As dúvidas deles também foram minhas quando estava me formando, ou seja, aquela expectativa de um curso que abre MUITAS PORTAS. Porém, aprendi que a maioria está trancada ou tem difícil acesso até chegar nelas. Veja como está concorrido os concursos, o salário de advogado empregado pós-formatura é ridículo e abrir o seu próprio tem custos emocionais fortes (coragem!).

Por tudo isso, o ambiente da graduação é TÓXICO. Rivalidades, concorrência, imaturidade, ansiedade, dificuldades para pagar, falta de apoio do governo, muitas distrações (celular em sala de aula), desinteresse pelo processo (aprender), foco total no destino (canudo), despreparo emocional, crise vocacional, medo de reprovar na OAB, muito copia-e-cola, medo do que espera fora da “bolha” da graduação, pressões diversas, falta de oportunidade de estágios, professores sem didática, professores sem conteúdo, professores temerosos em serem demitidos, falta de conforto, cursos sem direção, bibliotecas ridículas, falta de investimento das instituições, mensalidades caras, enfim, nunca o DIREITO esteve tão no divã como neste século.

Mas tem salvação? Acredito que sim, mas vai levar algum tempo e quem começar a se dar conta mais cedo, melhores chances terá no mundo jurídico. A autoconsciência é a ferramenta que mudará o mindset do atual quadro do Direito. As disciplinas não-jurídicas, infelizmente, ainda passam longe da grade da graduação, mas já estão sendo oferecidas em pós-graduações.

A notícia boa é que todo este cenário não está passando desapercebido pela comunidade jurídica. Eu não sou o único, nem serei o último. Faça um exercício e pesquise no GOOGLE a expressão “coaching jurídico“.  Mais de 20 mil respostas aparecerão. Em dezembro de 2017 foi publicado um artigo de minha autoria sobre o tema na revista CARTA FORENSE [clique aqui]. A verdade é que o assunto foi me recomendado para publicação. Mas ele não é novo, se considerar que há bastante tempo é oferecido o coaching para advogados. Talvez a expressão seja mais nova, mas até há uma comissão na OAB/SP chamada de COACHING JURÍDICO.

E, nestes dias, foi lançada a 1ª PÓS-GRADUAÇÃO de COACHING JURÍDICO no país, curso pioneiro entre nós, cuja instituição é a UNYLEYA EDUCACIONAL, reconhecida pelo MEC e que, atualmente, oferece o maior número de cursos de pós-graduação EAD no país. Só em 2017 teve mais de 130 mil alunos nas mais diversas áreas. É um grupo educacional português de grande prestígio e que tem sede em Brasília, mas está espalhado nas principais capitais do país. Portanto, não é qualquer formação sem embasamento científico. É, realmente, uma oportunidade nova de trabalho e de promover o seu próprio bem estar, o novo conceito de felicidade trazido pela inteligência emocional e psicologia positiva. Clique na imagem e saiba mais desta pós-graduação.

Sobre o livro indicado, segue a capa. Clique e saiba mais.

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