O crime não compensa ou recompensa?

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Está em todas as páginas de jornais a condenação da dona do luxuoso empreendimento DASLU a 94,5 anos de cadeia.

Quem está voltando de Marte irá perguntar: quantas pessoas a madame matou? Será que ela era serial killer??

Eliana Tranchesi, empresária, bonita e bem sucedida, foi condenada, segundo o site do jornal a Folha de São Paulo por estes crimes (ao lado está a pena):

  • formação de quadrilha (1 a 3 anos);
  • descaminho consumado (1 a 4 anos) cometido seis vezes, sendo que a pena pode ser dobrada por uso do meio aéreo;
  • descaminho tentado (1 a 4 anos) cometido três vezes;
  • falsidade ideológica (1 a 5 anos) cometido nove vezes.

Ué, mas cadê os corpos?? Não te cairam os butiás do bolso?

No Brasil nós temos a mania de prender poucos, até porque não temos cadeias suficientes, mas estes poucos têm que ser exemplares. É claro que esta condenação não será mantida em graus superiores, no entanto, choca pela gravidade na pena por crimes “sem vítimas”.

Na própria faculdade Direito, durante o seu curso, nós temos uma idéia muito pouco clara do que seja JUSTIÇA, pois nossos mestres trazem lições e pensamentos para sala de aula conforme o seu exercício profissional. O senso de JUSTIÇA de um promotor é diferente de que um advogado ou defensor público, como também de um juiz e de um delegado de polícia.

Estas diferenças de opinião servem para construir individualmente o raciocínio do aluno, na qual escolherá, geralmente, um conceito de JUSTIÇA.

E então, se faz JUSTIÇA condenar a 94,5 anos a dona da Daslu que não disparou qualquer tiro ou feriu alguém, além dos cofres do Tesouro público? É claro que ela já está solta por um habeas, mas a pergunta é tema da reportagem de capa da revista VEJA desta semana.
Reproduzo como minha opinião duas passagens do “editorial” (carta ao leitor) da revista:
“A empresária (…) não pode ser demonizada como o símbolo da desigualdade e da injustiça social no país. (…) A caça aos ricos é uma tentação suicida que, como demonstra a história, só produz mais miséria moral, política, econômica e social.”
É claro que ela deverá ser condenada, sem dúvida alguma, mas tenho ojeriza as tais “punições exemplares”, pois a simples punição, entre outros efeitos, já faz exemplo para a sociedade não querer fazer o mesmo ou estou exemplarmente enganado?

Comentários

  1. Acho engraçado a citada revista falar em demonização quando o que esta e similares mais fazem, bastando as vítimas terem um maior poder aquisitivo ou serem hipossuficientes, é demonizar de imediato os suspeitos, promover linchamentos morais e execuções sumárias.

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