O meu professor de português

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Arvores dos livros

No último final de semana, estive numa livraria Saraiva para “fiscalizar” se os meus “filhos editoriais” estavam à disposição de serem levados para milhares de casas e se divertirem com seus futuros donos, os leitores. Uma das minhas principais obras estava em falta naquela loja e quando o vendedor se ofereceu a encomendá-lo acabei confessando que era o “pai” dela. O livreiro ficou espantado e pediu licença para fazer algumas perguntas e uma delas era como eu tinha me tornado escritor.

Já tratei a respeito alguma vez sobre isso, mas nunca com a consciência que tenho hoje quanto à iniciativa de escrever. Identifico três atitudes que se tornaram cristalinas para reconhecer que foram elas – sem dúvida alguma – que me levaram à profissão que tenho hoje. Esta reflexão, não só quanto à curiosidade do jovem livreiro, já vem sendo alimentada nestes últimos meses, especialmente, quando mergulhei nos livros de autoajuda para pesquisá-los para o meu próximo título… SIM! Será de autoajuda, ensaio que iniciei em 2012 quando publiquei Guia Passe na OAB: os segredos da aprovação. Seu sucessor está em produção com a Editora e os dois próximos – em coautoria –  abordarão a temática da autoajuda.

Assim, a pesquisa acabou me trazendo “efeitos colaterais”, qual seja, a autorreflexão do porquê da minha alegria com a profissão de escritor. Este texto é um pouco disso.

As duas primeiras atitudes têm em comum que foram naturais para mim. [1] Sempre tive “diário”. Sei que era uma coisa de menina lá na década de 80 e 90, mas sempre usei “agendas” como diários. Escrevia bastante, o passado e o presente, e muitas coisas que gostaria de realizar. Em termos atuais,  fiz autocoaching ao descrever e responder perguntas que me fazia quando não tinha assuntos relevantes para o dia. [2] Fiz curso de datilografia. E uma das coisas mais chatas era ficar na aula copiando textos de revistas e jornais velhos. Depois que dominei a “arte” de datilografar, comecei a escrever “a esmo”: fazia contos e crônicas em sala de aula. E depois em casa para treinar. Em razão disso, a datilografia se tornou algo que fazia com muito prazer. Graças à ela, digito muito, mas muito rápido hoje.

Por fim, a última atitude e que responde ao título deste texto: meu professor de português. Sempre fui péssimo com a língua materna. Aliás, detestava a matéria. Quando mudei de colégio e fui para o Colégio La Salle Dores, também levei minhas dificuldades, entre elas, português. Até matemática, acabei aprendendo a força, mas português foi pedra no sapato até o meu professor perceber que talvez eu tivesse algum talento e me convidou para participar como cronista de um jornal que ele estava lançando da escola.

Creio que ele tenha lido um dos meus textos das aulas de datilografia, porque cheguei a levar para minha professora de artes para ver se “melhorava a nota” e ela adorou! Então virei cronista deste jornal por um período suficiente para ser aprovado “direto” na disciplina de português, algo inédito para mim. Ele me incentivou a continuar e segui seu conselho. Aprendi a argumentar, porque já li algumas cartas que escrevia para o meu pai pedindo aumento de “mesada”, na verdade, de “bolsa”, tendo em vista que sempre fui office-boy das coisas da casa.

Depois de tanto tempo, só tenho gratidão com o meu professor de português do meu (antigo) 2º grau, pois ele foi o primeiro a enxergar alguma coisa de escritor em mim e me ajudar a superar o trauma da disciplina. A professora de artes também, mas foi o professor Romeu que transformou um péssimo aluno num ótimo escritor, ao menos, é o que dizem por aí… E o português? Tenho minhas dificuldades ainda, mas longe de ser um indisciplinado aluno, já que quanto mais escrevia, mas gostava de ler.

PS. Tenho certeza que você tem professores do ensino médio que foram importantes para moldar o que você é hoje e que, infelizmente, não damos o devido valor, apenas aos professores do curso de graduação por estarem mais próximos ao que nos formamos profissionalmente. Faço o convite para você refletir a respeito. Certamente, eles ficariam orgulhosos onde você está hoje.

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