Que tipo de concurseiro você é?

Compartilhe:

STUDENT-TIRED

Dias atrás conversava com um amigo, que é empreendedor, sobre o que levava tantas pessoas a desejarem a ser servidores públicos. Aliás, tem até a data que se comemora o “dia do servidor público” (28/10). No mesmo mês, para não sermos injustos, também tem o dia do empreendedor (5/10). Realmente, quem não convive com esta realidade (concursos) acha estranho a opção maciça de futuros graduados a tentarem uma vaga no serviço público.

Ele até citou uma frase (procurei no Google e não achei) que seria do Jorge Gerdau lamentando que a juventude brasileira estava se “contentando” a seguir carreira pública ao invés de empreender.

De algum modo, concordo e discordo da preocupação do meu amigo.

Como professor da graduação dos cursos de Direito e Administração, além dos preparatórios para concursos, Exame de Ordem e palestrante motivacional, além de escritor neste mercado, deparo-me cada dia mais com apenas TRÊS tipos de concurseiros:

(A) concurseiro por vocação;

(B) concurseiro sem noção;

(C) concurseiro sem opção.

Sem precisar sair do campo do DIREITO, que oferece mais exemplos, fica fácil de identificar cada um dos tipos acima. O concurseiro por vocação é aquele que se eu perguntar em sala de aula QUEM DESEJA SER JUIZ vai levantar o braço, do mesmo modo para QUEM DESEJA SER DELEGADO. Creio que são duas carreiras bem definidas antes do próprio acadêmico entrar na faculdade. Todo mundo sabe (ou pensa saber) o que faz o juiz e o delegado. Claro, as carreiras de promotor e defensor hoje estão bastante em voga, portanto, muita gente já sabe que deseja segui-las.

Por outro lado, o concurseiro sem noção é aquele que O QUE VIER É LUCRO, portanto, qualquer carreira que ofereça estabilidade e boa remuneração é uma ótima opção! Ele sabe quais os benefícios de ser servidor público, mas não tem noção do que ele mesmo gosta, sendo assim, ser juiz ou delegado vai depender do resultado das provas. Aqui há uma falta de vocação, apesar do concurso público ser encarado como opção desde quando coloca os pés na faculdade. É possível que durante o seu percurso, o acadêmico seja aprovado (ou ao menos tentado) em cargo para nível médio.

Sabe-se que o curso de Direito sempre foi (e será) uma espécie de buffet de profissões, da advocacia em geral a todas às demais carreiras que exigem a aprovação em provas e títulos. Realmente, abre muitas portas, mesmo que na sua origem era a faculdade que formava, essencialmente, advogados.

Por fim, há o concurseiro sem opção, que apesar de desejar ter a sua atividade própria ou trabalhar como profissional liberal, sabe que o mercado está saturado ou complicado e pagar as contas é prioridade. Assim, o que lhe resta? Concursos públicos!

Ocorre que a advocacia se transformou com o tempo, adaptando-se às demandas em massa, criando escritórios gigantes, destino final para a grande maioria de recém-formados. Essa mercantilização atingiu também a remuneração dos advogados empregados, que aceitam entre dois a quatro salários mínimos mensais depois de cinco anos de faculdade e, quem sabe, têm uma dívida com as instituições privadas a longo prazo.

Cerca de 85 a 90% dos meus alunos e dos espectadores das minhas palestras desejam ser servidores públicos. Não há mal algum em seguir seus sonhos, mas pergunto: é a vocação falando mais alto ou a segurança de um concurso ou é por falta de opções mesmo na iniciativa privada? Um concurso nível médio para qualquer tribunal, sem a necessidade de formação superior, remunera muito mais que qualquer escritório de advocacia (no início de carreira) ou como colocação de trainee. De fato, a escolha (ou a falta dela) dos nossos jovens está longe de ser vocacional. Ao questionar o futuro concurseiro sobre qual profissão irá buscar a tão sonhada estabilidade, muito mais da metade não sabe o que focar. Em outras palavras, poucos têm convicção que desejam ser juízes, promotores, delegados ou defensores. O restante, a primeira aprovação será o destino de suas carreiras.

Infelizmente, o Conselho Federal da OAB passa longe quando o assunto é piso salarial para os advogados empregados, o que poderia amenizar o atual quadro de falta de esperanças para quem busca ingressar na advocacia privada e não tem condições de manter sozinho o seu próprio escritório. Muitas outras profissões têm estabelecido o seu piso regional e nacional, porém na advocacia ainda é algo quase inédito. É quase um mantra afirmar que já somos mais de um milhão de advogados e que há tantas faculdades de Direito no Brasil que supera qualquer outro país, porém, faltam dados de quantos, realmente, têm algum processo patrocinando como causídico, visto que ter um registro junto à OAB não significa que esteja na ativa.

Tenho reiterado em meus livros [especialmente, o Poder da Aprovação, clique na capa abaixo e saiba mais] e palestras que a vocação é muito importante para gerar o interesse de estudar e se preparar para concursos. Atirar para todos os lados não é a decisão acertada, porque “quem tudo quer, tudo perde” diz um provérbio popular. O próximo dia do servidor público, certamente, poderá estar também na agenda de quem tem a motivação certa!

PS. não tem no calendário oficial o Dia do Concurseiro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

BUSCA RÁPIDA

Visitantes

2.618.558 desejam passar na OAB e em Concursos

Redes Sociais

Agenda OAB

XXV Exame de Ordem Unificado

  • 23.01.2018

    Publicação do edital

  • 23.01.2018
    a
    02.02.2018

    Período de inscrições

  • 23.01.2018
    a
    02.02.2018

    Período de solicitação de isenção da taxa de inscrição

  • 05.03.2018

    Resultado definitivo da análise de solicitações de isenção da taxa

  • 08.03.2018

    Prazo limite para pagamento da taxa de inscrição

  • 02.04.2018

    Divulgação dos locais de realização da prova objetiva

  • 08.04.2018

    Realização da 1 ª fase (prova objetiva)

  • 08.04.2018

    Divulgação do gabarito preliminar da prova objetiva

  • 23.04.2018

    Resultado preliminar da 1ª fase

  • 24.04.2018
    a
    27.04.2018

    Prazo recursal contra o resultado preliminar da 1ª fase

  • 08.05.2018

    Divulgação do gabarito definitivo da 1ª fase

  • 08.05.2018

    Divulgação do resultado final da 1ª fase (prova objetiva)

  • 21.05.2018

    Divulgação dos locais de realização da prova prático-profissional

  • 27.05.2018

    Realização da 2ª fase (prova prático-profissional)

  • 27.05.2018

    Divulgação do padrão de resposta preliminar da prova práticoprofissional

  • 19.06.2018

    Divulgação do padrão de respostas definitivo e do resultado preliminar...

  • 20.06.2018
    a
    23.06.2018

    Prazo recursal acerca do resultado preliminar da 2ª fase

  • 03.07.2018

    Decisão dos recursos acerca do resultado preliminar e divulgação do...