Sou advogado porque passei na prova da OAB.

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Sempre em todas as palestras que confiro começo a apresentação afirmando o que todo o bacharel em Direito deveria saber: seja advogado, passe na prova da OAB.

Aqui no RS a imprensa, como no resto do país, deu mais atenção ao Exame de Ordem devido à liminar concedida para o exercício da advocacia sem a necessidade do mesmo. Neste momento, surgem diversas vozes tanto para acusar quanto para defender a prova da OAB.
Ontem não deu para assistir por completo um debate sobre o assunto, de um lado integrantes do MNBD – Movimento Nacional de Bacharéis em Direito e de outro, advogado e representante da OAB. Fiquei impressionado com o despreparo deste pessoal do movimento.
Acredito que os bachareis, pelo menos aqueles que querem ser defendidos, mereciam representantes com uma melhor apresentação e preparo. E pelo o que se percebe, nem eles querem a extinção da prova da OAB, pois se acabarem com ela acabará o movimento. Alguém já viu um movimento de uma causa só?!?
Já ouvi uma vez aluna – bacharel em Direito – a se referir ao movimento de “xiitas”. Se você acessar o site deles encontrará um “mar” de acusações de todos os tipos contra a OAB. Não entendo, então: se eles querem ser advogados, porque este ódio mortal contra a própria instituição que garantirá o exercício e defesa de sua profissão?
É como fala minha namorada: “quem quer ganhar no grito é porque não tem razão”. O programa do debate era uma gritaria só. Cansei e fui ver outro canal. E quem defendia a prova não tinha todas as informações, lamentavelmente.
De fato a prova da OAB não tem origem na lei de 1994 e ai está o grande engano na artilharia, cuja mira está tão somente no art. 5º, XIII da CF de 1988, como também, a interpretação que fazem não é sistemática, muito menos percebem que o direito de profissão não é absoluto.
Nem a vida é direito absoluto garantido pela CF, imaginem a profissão!
Fiz a faculdade de CIENCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS sem pensar em escolher a ADVOCACIA como profissão, e sim, para ser CONCURSEIRO. Esta é outra questão que sempre levanto junto às platéias de estudantes de Direito. Cerca de 85% pretendem seguir em CONCURSOS JURÍDICOS, o resto divide-se em ADVOCACIA ou mesmo apenas o CANUDO.
E sabemos que para seguir em muitas carreiras não é necessária a carteira da OAB, como a magistratura e polícia civil, por exemplo. Nem no Ministério Público é exigível a condição de “advogado”.
Eu não fiz uma faculdade de ADVOCACIA e se tivesse uma não teria feito. De fato, acabei optando em advogar, então prestei prova da OAB e fui aprovado.
O MNBD diz que tem cerca de um milhão de bacharéis em Direito no país. A OAB apresenta dois milhões e meio. Independentemente de quem tenha a razão a respeito destes números, uma situação é unânime entre todos: nem todos querem ser advogados, ao contrário, a minoria.
E qual a razão? Tem muitos advogados no país, quase 800 mil inscritos. A prova da OAB tem muitos erros, é verdade, mas eles não justificam sua eliminação simplesmente.
Por fim, antes de ser professor e coordenador de curso preparatório para OAB, além de escrever neste mercado, sou advogado e como tal vejo com desânimo a realidade da profissão num país que tem mais faculdades de Direito do que a soma de todos os países…
Portanto, quem quer ADVOGAR que faça a prova da OAB e passe. Quem quiser ser JUIZ, que faça a prova e passe. DELEGADO? A mesma coisa! Tudo é difícil? Alguém falou que seria fácil? Espere entrar no mercado…
Será que temos 1% de advogados no país que seja contra a prova da OAB? Será que temos esta mesma proporção entre os dermatologistas a respeito do número de vagas para residência nesta especialidade?
Por fim, sejamos francos: quem defende o fim da prova da OAB? É quem não passou ainda. Os responsáveis do MNBD não passaram ainda e outros não fizeram a prova por questões ideológicas.

Comentários

  1. Caro amigo, não posso dizer pelos outros, mas quando fiz minha prova passei sem muitos méritos. O que posso dizer é que suspeito que a grande maioria que sai da faculdade está mais apto a passar na prova de quem já está advogando sem ter feito ela…

  2. Professor Marcelo,
    ontem no debate (Conversas Cruzadas) o Dr. Ricardo Giuliani falou sobre um Presidente da OAB/?? que chamou, ou melhor, "peitou" os bacharéis para prestarem o Exame de Ordem com ele. O que aconteceu? O próprio presidente não passou na prova. Você sabe algo sobre isso? Assitiu essa parte? Quem era o presidente? E em que ano ocorreu?

  3. Sobre o presidente que não passou no exame foi o da seccional São Paulo.

    A respeito do debate, fiquei com vergonha, por ambas as partes. O professor completamente agressivo e prepotente,o pessoal do MNBD totalmente despreparados.

    Ainda não passei na prova,não sou contrária ao exame, mas acho que ele não deveria ser um limitador para exercer a profissão e, sim, um diferencial de mérito. Por exemplo, constar na carteira: prestou exame de ordem.

    Quem seleciona o bom profissional é o mercado, o fato de passar na prova não garante o "status" de bom advogado.

  4. Desconheço esta estória de Presidente da OAB… Infelizmente, a prova da OAB é uma represa e como todas outras ela não distingue o que fica preso atrás de seus muros…

  5. Hehehe! Gostaria que essa gente viesse fazer o exame conosco (mas, o exame que hoje é aplicado e não aquele que era aplicado há dez anos atrás).

  6. "o exame que hoje é aplicado e não aquele que era aplicado há dez anos atrás"…

    Discordo. Os tempos também eram outros, não havia tantos livros e cursos preparatórios para tal fim. O número de disciplinas não indica maior ou menor dificuldade, pois quanto menos, mais profunda é abordagem.

  7. Uma das questões do Exame de Ordem de 2001 (feita pelo meu irmão):

    “Quando um funcionário público que em razão do cargo, tem a posse de coisa móvel pertencente à administração pública ou sob a guarda desta (a qualquer título), e dela se apropria, ou a distrai do seu destino, em proveito próprio ou de outrem, que crime comete?
    a) Furto;
    b) Roubo;
    c) Peculato;
    d) Desvio de verba pública.”

    Qual é a complexidade da questão? Nenhuma. Parece concurso de nível médio.

  8. Como falei anteriormente, hoje esta questão é tranquila. Mas nem todas elas eram neste padrão.

    As provas se modificam porque as realidades são outras, inclusive a respeito do material para consulta. Mas veja que as provas da 2ª fase eram mais difíceis pq tinham consulta e hoje não.

    Quem erra uma contestação numa prova de TRABALHO, por exemplo?

  9. Tu é a favor do exame… claro… Porque a hora que acabar… acaba esse teu cursinho. Vai ficar sem aluno.

  10. Como mencionei anteriormente não sou contrária ao exame acredito que deveria ser um doferencial de mérito.
    Mas temos que lembrar no momento em que resolvemos fazer a faculdade de Direito sabiamos da existência da prova.
    Agora,essa fala de: "defesa da sociedade", sinceramente, soa como prepotência, então as demais profissões,como professor,não estão em defesa da sociedade, pois não realizam exame de ordem.

  11. Meus amigos, fora as ofensas pessoais, pq. se me importasse retiraria a opção de comentários ANÔNIMOS, se terminar a prova da OAB continuarei fazendo o que faço desde 1997, ADVOGANDO, e o curso que ministro aulas também oferece preparação para concursos públicos, e com certeza, isso não terminará.

  12. Marcelo, o senhor não tem vergonha de falar que ministra aulas? Fui aluno do seu curso e jamais tive aula com o senhor.

  13. Não vou deixar de ser professor porque em 2010 abri mão de ministrar aulas devido aos meus compromissos editoriais e com palestras em faculdades, bem como as turmas de 2ª fase para Empresarial não abriram.

  14. Acho que aprova da OAB deveria ser voltada mais para a ética profissional, pois o que vemos e muitos advogados que não respeitam sua profissão e até mesmo seus colegas de trabalho, muitos parecem não se lembrar da direitos e deveres dos advogados, com grande desrespeito a classe e principalmente aos seus clientes. Acho também que a prova deveria ser voltada para uma áreas específica, pois e sobre humano uma pessoa dominar todas as 16 disciplinas exigida, pois os advogados e até mesmo professores se especializam em determinada área que gostam, pois devido ao grande conhecimento e constante atualizações e impossível uma só pessoa dominar amplamente mais 16 disciplinas. Devido isto acho que forma como exame da Ordem vem sendo cobrado deveria ser revisto, pois após prestado o exame e o efetivo exercício da profissão, cada advogada escolhe ao menos 2 áreas para atuar se especializando e tornando se o melhor possível nesta área, afim exerce com excelência sua advocacia.

  15. Marcelo, você deveria animar os seus alunos e futuros colegas de trabalho e não ficar debatendo, sendo grosso ou debochado!!! Pelo amor de Deus, que coisa feia. Foco gente!!!!

    1. Prezada “geléia” a energia sempre foi a mesma: FOCO NA APROVAÇÃO. A discussão de constitucionalidade sempre foi uma bandeira presente. Hoje essa discussão nem está mais na “moda” depois do STF em 2011. Esse post foi de dezembro de 2010 e hoje nem precisamos mais “perder” tempo com esse assunto. Bons estudos.

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