Tolerância zero com efeitos colaterais.

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Está nas mesas de bares, porque a bebida alcoólica está no depósito, discussão sobre a nova lei que trouxe a tolerância zero. Não recordo de uma lei tão comentada desde a Lei da Maria da Penha. Hoje foi publicado em Zero Hora que houve uma queda de cerca de 40% do consumo nos bares e restaurantes de bebidas alcoólica, um dos efeitos colaterais do título desta crônica. Acredito que tenha muita verdade nesta informação, mas acredito também que o prejuízo será maior ainda, pois a cadeia começa no comerciante e termina no fabricante de cerveja, vinho, seja lá o que for que tenha graduação alcoólica (inclusive quem planta cevada e uva).

Outro efeito é a criminalização de cidadãos que, como eu, seremos penalizados pelo novo rigoroso sistema que condena mesmo aquele que bebeu uma mísera lata de cerveja ou um cálice de vinho. Os conceitos de bêbado e criminoso ficaram amplificados, generalizando a situação de culpado. Por outro lado, dirigir emaconhado “não dá nada”, apenas o barato típico da erva. É o que diz a nossa lei penal ou teremos em breve o “sopômetro” para fazer parzinho com o bafômetro. Mas hoje no Jornal Nacional, entre os intervalos do TV Fama, já tem jurista de plantão dizendo que a lei é inconstitucional. No Brasil é sempre assim: num dia se pune; no outro, solta.

Na teoria, a tolerância zero também poderia ser aplicada para outros produtos como alimentos com gordura trans, aqueles industrializados com calorias, açúcares, etc e tal. Vamos zerar tudo que seja ruim, inclusive a nicotina e a fumaça dos cigarros. Vamos também acabar com os políticos corruptos, porque não publicar os nomes de todos aqueles acusados por alguma ilegalidade? Será que a preocupação é não sobrar nenhum para votarmos?

O fato é que já estou fazendo parte da legião dos “preocupados” com a nova lei ao ponto de escolher os bares perto da minha residência e de levar minha esposa a todos compromissos com meus amigos, pois ela não bebe… Motorista e abstêmia, com a nova lei, são todas as qualidades que um homem procura hoje numa mulher… fui um visionário ao me casar!

Já contava meu grande amigo Luzardo: “chegou um bêbado ao outro que estava parado na calçada, ambos saídos juntos de um bar…

– ôooo queee você está fazendooo?
– vou tomar ummm táxi… – respondeu o bêbado ao outro.
– não convém missssturar.

Comentários

  1. Novo artigo 306, alterado pela lei n. 11.705:
    “Art. 306. Conduzir veículo automotor, na via pública, estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas, ou SOB A INFLUÊNCIA DE QUALQUER OUTRA SUBSTÂNCIA PSICOATIVA QUE DETERMINE DEPENDÊNCIA:
    …………………………………………………………………………………
    Parágrafo único. O Poder Executivo federal estipulará a equivalência entre distintos testes de alcoolemia, para efeito de caracterização do crime tipificado neste artigo.” (NR)
    OU SEJA, DIRIGIR EMACONHADO TAMBÉM TÁ NO XADREZ!

  2. Sobre o post, hoje saiu na ZH que o atendimento no HPS diminuiu 40%, e os acidentes de trânsito também. Acredito que, num país como o nosso, onde a maioria não tem consciência do mal que dirigir embriagado faz, a lei tem que ser radical mesmo. Os meus amigos que antes dirigiam bêbados (e até eu mesma), hoje pensam duas vezes antes de fazer isso. Todos fomos prejudicados no happy hour semanal, mas se é pra diminuir a violência (no trânsito, brigas, mortes, etc), acho válido. Vamos deixar de pensar apenas em nós mesmos, no nosso happy hour e pensar na hora de felicidade daqueles que agora estão voltando vivos pra casa.

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